quinta-feira, 31 de maio de 2012

Como já habitual é, aquela menina refugiou-se entre os seus lençóis, ela deitou-se ontem à noite na esperança de conseguir adormecer e esquecer aquelas palavras frias e duras que tinha lido, que a tinham deixado naquele estado profundo de choro e soluços perdidos no cair de quatro em quatro das lágrimas, mas ocorreu uma falha nessa tentativa de esquecimento, porque a escuridão do seu quarto e o silêncio que por ironia era ensurdecedor trouxeram-lhe os pensamentos que ela mais receava e que estava a tentar apagar do seu cérebro já cansado, pelo menos por instantes ela queria desligar-se dessa mistura de emoções e lembranças que corriam na sua mente, mas esses pensamentos, essas memórias, com uma pequena dose de felicidade e uma enorme de dor permaneceram em seus olhos e em todo o sitio possível onde uma dor pode estar, até ela finalmente conseguir adormecer, e 'esquecer'. Não valeu de nada. Dez horas da manhã, ela acorda, os raios de sol já a bater na janela e nos seus olhos ainda enxaguados do choro da noite que havia passado, e ela começa a sobreviver a mais um dia, mas assim que os seus pés tocam o chão, assim que ela desperta do sono, as lágrimas caem... Ela coloca uma música, uma que gosta bastante de ouvir, e avança para o seu banho matinal, mas essa música, em meras frases fez com que ela se lembrasse dele de novo, e novamente, sem novidade alguma, as lágrima caiam, apenas desta vez estavam disfarçadas e escondidas pela água que corria em cima de seu corpo, e ela dificilmente sentia as lágrimas, mas a dor estava no coração, e essa sim, ela sentiu bem. Posteriormente ao seu banho, ela prepara-se para mais um dia, veste a sua roupa, toma o seu pequeno almoço, arranja-se, ela maquilha-se daquele seu jeito... Bem, ela concretiza a sua já conhecida rotina, (para mostrar aquele lado forte que sinceramente não existe, apenas ela faz com que pareça que essa força está lá, ela limpa as lágrimas do seu rosto), e sai de casa como se nada tivesse passado, coloca um sorriso na cara em frente aos seus amigos, em frente às pessoas com quem convive, e limita-se apenas a aguentar a felicidade falsa durante mais uma horas de tristeza interior da sua vida... E agora, aqui está ela, sobreviveu mais um dia, mais um dia triste dos muitos que já vieram, e que ainda virão. Aqui estou eu.

31-05-2012 , JS.

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Sinto-me que nem louca por ti. Dou por mim a recordar momentos, a reviver memórias, e a fazer as coisas mais impensáveis, as coisas mais ridículas como olhar para uma matrícula com as tuas iniciais e sorrir; ouvir o nome da tua localização e suspirar; pulverizar o teu perfume em mim só para me imaginar abraçada a ti, e a sentir aquele cheiro tão teu em mim; ver os casais a demonstrar amor e imaginar-nos no lugar deles; até mesmo o guardar as anilhas das latas em que sai a letra do teu nome, que coisas tão sem sentido não é? faço tantos filmes mesmo nos lugares mais banais, como um banco de um jardim, ou até mesmo num carro em andamento... Estranho não? Será isto amor, ou loucura? São ambas as coisas. É um dócil amor e uma demais loucura. És paixão e desejo, és ternura e doçura, mas és fogo e gelo. Eu estou louca, e agora pergunto-me, qual a cura para esta loucura? Como se esquece a loucura? Como se apaga tamanha chama dentro de mim? Porque não ateias o meu fogo ainda mais e preferes meter água em tudo o que era nosso, e apagar o nosso momento, a nossa vida? Queria tanto sentir para sempre este calor, em vez de só ver o fumo do seu apagar à minha frente...


21-05-2012, JS.

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Esta saudade dentro de mim sufoca, e as lágrimas constantes a cada anoitecer falam por si. Palavras não são suficientes para descrever tal sentimento, como pode existir dor tão grande e imensa? Como explicá-la? Não encontro a forma exata para o fazer, se é que existe forma alguma de expressarmos a dor da perda de um amor. O choro é incontrolável, é como que automático, como se não fosse sequer necessário pensar na mágoa, ela simplesmente se instalou no meu coração sem o meu consentimento, e tende em enviar sua informação, seu código, para o meu pensamento. Depois de todo este jogo de ligações, os olhos cedem, quebram, e deitam mais um pouco dessa água salgada a que o meu rosto ultimamente se tem habituado. O meu rosto molhado pela fraqueza do meu coração.

18-05-2012, JS.

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Ela faz-se de forte, mostra sorrisos a tudo e a todos, para dar a sensação de que está bem, que está feliz, mas no fundo não está... Ela esconde a sua dor. Todo o dia anda com um sorriso na cara, mas chega à noite, aconchegada nos seus lençóis e ela chora, chora durante horas a fim, todas as noites, todas as noites, e tenta esconder o choro quando lhe perguntam se o está a fazer, muda a voz e limpa as lágrimas quando ouve 'estás a chorar?'... Ela sente o mundo a desabar, ela sente tristeza e sabe que o que a deixou assim não tem retorno, é definitivo, é 'para sempre' se esse existe mesmo... O que provocou esta tristeza não tem volta, não tem solução, é... devastador, e deixa-a completamente paralisada nos seus pensamentos, na sua imaginação de como tudo poderia ter sido e não foi, não o vai ser, nunca o vai ser, porque tudo acabou. Ela sente a falta, e vai continuar a sentir; ela não  consegue interiorizar a ideia de que tem que seguir a sua vida em frente sem ... sem a vida dela; ela quase que reza com esperança de que tudo se componha, e que tudo volte a estar como a fazia feliz, mas no fundo, ela sabe que essa esperança vai ser abatida, eventualmente, pela crua realidade... Ela sabe... Eu sei.

10-05-2012, JS.