sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Tu, sim tu, pequena miragem que passa diante a minha vista, sombra de ilusão que vem de mim, de dentro de mim, e um mero fruto da minha imaginação. Vejo a tua imagem, o deslumbre da tua pessoa, tão pertinho dos meus olhos, tão ao meu alcance, sinto o teu toque, cheiro o teu perfume, aprecio a intensidade do teu olhar, oiço a tua voz a chamar por mim, sinto a tua respiração, o bater do teu coração, mas como é possível? Como é possível se... tu não estás aqui? Tu não estás aqui. Viajo sozinha sobre a minha própria armadura, na minha própria passada, no meu caminhar lento e esperançoso, ultrapasso desafios, venço desavenças, para ir ao teu encontro, para te sentir. "Estou tão perto de ti, espera, eu estou a chegar", penso. Finalmente chego ao que pensava ser o meu destino, e quando penso estar prestes a chegar perto de ti, quando te vejo a ti, e uma luz em volta do teu corpo tão reluzente que por pouco me fere a vista, só tu apenas tu e mais nada, tu desapareces, foges; "para onde foste tu?", "onde estás?", ouvem-se os gritos do meu coração. Será isto apenas um sonho? Será que tenho os meus pensamentos tão sufocados que já permiti que se apoderassem de mim, da minha razão e da minha racionalidade? Será isto é pura ilusão, desejo a falar mais alto, tão alto, que se afasta demasiado da realidade fazendo-me perder a noção do tempo e do espaço? Sim, é ilusão, pois quando estou a um palmo de ti, a tua imagem desaparece, como que soprada por uma rajada de vento que por ali passou no exato momento em que te iria abraçar, tu desapareces e só consigo avistar o desvanecer do que eu criei na minha cabeça. A luz desapareceu, tu desapareceste e eu permaneci sozinha com o sofrimento de encarar que era tudo imaginação, sentada num recanto debruçada sobre a minha própria dor, e olhando pelo ombro, na pequena esperança que seja tudo um pesadelo, e que tu estejas realmente presente neste momento, que me faças aperceber que isto não é apenas mais uma representação na minha cabeça, mais uma sequência de imagens falsas que só eu as presencio e vejo,  que apareças e digas 'está tudo bem, eu estou aqui'. Fiquei presa no conforto falso que se apoderou de mim. Acordei. Sim, apenas sonhei, agora sei, foi tudo apenas um sonho. Sinto alivio, o pesadelo passou... No entanto, outro sentimento cresce dentro de mim, sinto desespero, sinto lágrimas... É que, realidade ou sonho, tu continuas sem estar aqui.



sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Encontro-me assim, meio perdida na definição de quem sou, meio perdida na procura de felicidade, meio perdida na vida, a rondar o deserto da minha alma e a escuridão do meu ser. Perdida e confusa, sem orientação no meio dos meus pensamentos e das minhas emoções. A vaguear nesta maré de má sorte e a ir de encontro ao que nem sei se de destino devo chamar. Enterrada na armadilha que criei, estou prisioneira da minha própria pele porque fui presa pelo meu próprio coração.