Saudades. Saudades cortantes, a esfaquear o meu peito, a vaguear sobre a minha mente e a massacrar o meu coração. Caminhos descruzados, almas separadas, sentimentos perdidos. Desespero, angústia, medo, dor, são esses os sentimentos persistentes no decorrer da minha vida, são essas as emoções que me acompanham, emoções que são a minha sombra na corrida da vivência, a minha sombra triste e cansada que apenas se reflete no chão, e não na cara, ou no próprio corpo, para que ninguém a veja. Sombra essa que apenas eu sei que me acompanha, apenas eu a vejo, apenas eu a sinto a levitar o meu corpo e a dominá-lo por dentro, como se fosse uma marioneta, onde fios podem ser puxados, e onde eu posso ser levada, sem consciência para onde estou a ir, pois estou a ir sem ti. Minha força, minha alma, meu guia, para onde foste? onde estás? porque foste assim, e me deixaste cair sem amparo? Meu anjo que voaste para longe de mim, meu protetor, protetor de outro alguém agora. Encontro-me no meio do céu, o que foi outrora o nosso astral, a perguntar-me a mim mesma se encontraste outro anjo para te guiar que não eu, se tens outro alguém com quem queres partilhar um futuro... Enquanto que o meu futuro, o meu pensado futuro, podia apenas ser partilhado contigo.