quinta-feira, 7 de junho de 2012

O amor... O amor é como a música, por vezes um som lindo, maravilhoso ao ouvido, outras uma música degradante, sem sentido nem nexo, sem beleza, uma música que ninguém quer ouvir, uma música que não se sente... A nossa música fez parte dessa categoria, a nossa composição na nossa pauta tornou-se errada, porque eu fui apenas um acorde errado na tua música, fui uma nota usada como rascunho para no final ver se a melodia ficava certa, fui uma corda mal tocada, uma tecla mal pisada, um tom que mal soou, ou mais grave ainda, fui toda uma orquestra mal sintonizada.
 O som que de mim saiu, que de mim ecoou não te agradou, não te deu prazer de ouvir e ouvir mais uma vez sem cansar... mas quem ama a música, quem encontra beleza mesmo no meio de todas as notas erradas, quem simplesmente ouve o bonito som e ignora o que sai errado, como se nunca tivesse acontecido, quem aprecia a beleza de uma música mesmo mal tocada, quem no final dos erros ainda consegue achar o som perfeito e belo, essa pessoa, continua a adorar, a achar brilhante, por mais defeitos e por mais estranho que ao ouvido lhe pareça, mas tu... tu não gostaste da maneira como a minha música estava escrita e avançava à medida que a ouvias, não aguentaste o ruído provocado na tua audição pelos erros dos meus fortes acordes e preferiste meter o amor em pausa, fazendo com que a única espécie de som que eu ouça agora seja o sopro do meu coração.

07-06-2012, JS.

sábado, 2 de junho de 2012

Sim a saudade é dura, a saudade é um dos sentimentos mais cruéis que pode haver neste mundo... Mas e a saudade de um abraço que nunca se teve? A saudade de um beijo nunca dado? A saudade de um toque nunca sentido? A saudade de um olhar cruzado entre duas pessoas que nunca ocorreu? A saudade de uma noite dormida junto daquela pessoa, que nunca aconteceu? A saudade de um entrelaçar de dedos, ou de um passeio de mãos dados que nunca se sentiu? A saudade de um perfume nunca cheirado? A saudade de um sorriso nunca visto? A saudade do acordar de manhã e ter aquela pessoa ao teu lado, essa saudade nunca vista? A saudade de um momento nunca presenciado? A saudade das palavras que saem dos lábios que amas, mas que nunca tiveste o prazer de ouvi-las bem pertinho do teu ouvido? A saudade que a distância provoca, a saudade e a dor das coisas mais belas que nunca tivemos, essa saudade? Essa é um sentimento de aperto que realmente se sente no coração, como se estivessem a atá-lo lentamente com ferros e dos bicos que o penetram, que o faz sangrar e o faz ficar apertado, tão apertado, é uma saudade que queima tal como fogo a tocar na pele, é uma saudade cortante, sufocante, dolorosa, desesperante... Essa saudade? Mata.

02-06-2012, JS.